Riscos da falta de planejamento

Os dois principais riscos da falta de planejamento da aventura são o acidente e o óbito. O erro de planejamento é fatal. Ele afeta os aventureiros inexperientes por falta de conhecimento e de preparação, assim como os mais experientes por excesso de confiança e tomada de riscos.

Em abril de 2018, o atleta francês Eric Gilbert Welterlín, de 53 anos, corredor de montanha e ultramaratonista, perdeu-se durante um treino solitário na trilha do pico dos Marins (na Serra da Mantiqueira) e morreu de hipotermia, segundo o laudo do corpo dos bombeiros. Eric não estava vestindo roupas adequadas para o clima de alta montanha e não carregava equipamentos de segurança mínimos, como uma barraca de sobrevivência e um cobertor emergencial. Esse erro básico por excesso de confiança nas suas capacidades físicas, custou-lhe a vida.

No vídeo apresentado a seguir, veja quais são os 13 motivos para você planejar sua aventura.

Processo de planejamento

O processo de planejamento da aventura envolve três principais etapas: 1. Identificação e avaliação dos riscos; 2. Definição das respostas aos riscos; e 3. Preparação e planejamento.

processo de planejamento da aventura
Fonte: César Ramos

Fase 1: Avaliação dos riscos

A primeira fase consiste em identificar os riscos relacionados ao ambiente e a atividade que pretendemos fazer. Esta fase é concluída listando e classificando todos os riscos.

A marina americana define o risco como um potencial de perda caracterizado por ambas as probabilidades de ocorrência e de severidade que pode ser gerado por situações perigosas. (MARINE CORPS INSTITUTE, Headquarters Marine Corps, Operational Risk Management, ORM 1-0, Washington, DC, February 2002).

 

Fase 2: Definição das respostas aos riscos

A segunda fase consiste na definição das respostas aos riscos identificados. Essa fase consiste em responder a várias perguntas de riscos, como por exemplo: O que devemos fazer se estamos perdidos e devemos passar a noite no local? O que fazer na ocorrência de um acidente ou do ataque de um animal? Esta fase é concluída definindo as estratégias de resposta aos riscos identificados e listando os equipamentos e conhecimentos que nos permitirão mitigar ou eliminar o risco. É importante enfatizar que sempre existem várias alternativas de resolução do risco e que várias soluções com equipamentos diferentes devem ser desenhadas de forma a ter conhecimentos mais abrangentes e versáteis que permitam propor soluções alternativas dependendo do contexto e dos equipamentos disponíveis. Não é razoável desenhar técnicas complexas para resolver um problema básico e urgente.

Estratégias de gestão dos riscos

Existem seis principais estratégias de resposta a um determinado risco:

  1. Desconsiderar os riscos insignificantes;
  2. Aceitar os riscos baixos;
  3. Assumir os riscos moderados (não dar uma resposta inicial, mas estar preparado para mitigar os efeitos dos risco);
  4. Responder ao risco (dar uma resposta inicial, planejando uma resposta com algum procedimento e equipamentos);
  5. Reduzir o risco (reduzir os efeitos do risco em caso de materialização); e
  6. Eliminar o risco (evitar a exposição ao risco).

Essas estratégias estão apresentadas  em detalhe no primeiro volume do Manual de aventura e sobrevivência.

Fase 3: Preparação e planejamento

A terceira fase consiste na preparação e no planejamento da aventura. Ela consiste em fazer a aquisição dos equipamentos e conhecimentos necessários à execução da resposta que foi planejada e a definir todos os procedimentos e indicadores de desempenho que deverão ser usados.

Fonte: César Ramos, Manual de aventura e sobrevivência, volume 1 Planejamento da aventura.

Desenvolvimento contínuo

Aventura após aventura, o seu processo de desenvolvimento deve seguir o seguinte processo iterativo: planejar, executar, avaliar e corrigir.

Fonte: César Ramos

Última atualização: 31 de maio de 2021

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